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Trigo e milho salvam o PIB agropecuário do 3º trimestre, mas taxa anual ainda cai

Evolução sobre 2021 é de 3,2%, mas taxa acumulada no ano ainda recua 1,5%

As safras de milho e de trigo tiveram bons desempenhos neste ano, permitindo uma evolução de 3,2% na taxa do PIB (Produto Interno Bruto) da agropecuária no terceiro trimestre deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado. A pecuária também auxiliou nessa elevação.

Apesar dessa recuperação, o PIB da agropecuária ainda mantém queda acumulada de 1,5% no ano e de 1,3% nos últimos quatro trimestres. Deverá fechar o período em queda.

Com relação a 2021, o IBGE (Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística) revisou a taxa do setor e, conforme os novos cálculos, a agropecuária teve crescimento de 0,3%. Os dados anteriores indicavam queda de 0,2%.

O PIB da agropecuária não manterá o espaço que registrou nos últimos dois anos na economia brasileira. A colheita de soja, o principal item da produção brasileira, teve forte redução, provocada por seca.

Em 2019, a participação da agropecuária no PIB era de 4,9%, percentual que subiu para 6,6% em 2020 e para 8,8% em 2021, segundo o IBGE.

Olhando para o terceiro trimestre deste ano, a evolução ocorre, em relação a igual período do ano passado, devido a uma recuperação da safrinha de milho. Neste ano, os produtores colheram 85 milhões de toneladas do cereal, 37% a mais do que em 2021.

No ano passado, por causa de severos efeitos climáticos, a segunda safra de milho do país havia ficado em apenas 62 milhões de toneladas.

A redução da oferta em 2021 incentivou os produtores, que semearam uma área 12% maior na segunda safra de 2022.

Condições climáticas mais favoráveis permitiram uma evolução de 23% na produtividade, o que elevou a produção total de milho, somando a safra de verão e a safrinha, para o recorde de 110 milhões de toneladas.

O melhor desempenho do PIB neste terceiro trimestre, em comparação ao mesmo período de 2021, se deve também ao trigo. O país nunca produziu tanto trigo como neste ano. São 9,6 milhões de toneladas do cereal, 23% a mais do que em 2021.

Aumentos de 11%, tanto na área como na produtividade, elevaram a produção do país para esse recorde. Mesmo assim, o Brasil continua dependente de importações.

O café não contribuiu muito. Esperava-se uma influência positiva da bienalidade, o que não ocorreu neste ano, devido a severos problemas climáticos em 2021. Seca e geada afetaram as lavouras, inibindo o rendimento deste ano.

A produção se alterna com resultado bom em um ano e recuo no seguinte. Este era para ser um período de colheita superior à obtida. A produção teve uma evolução de apenas 3,7% na colheita de café do tipo arábica, a principal do país. A safra total, incluindo o conilon, deve atingir 50,4 milhões de sacas, 5,6% a mais do que a de 2021, segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).

O algodão, outro produto com safra no segundo semestre, teve alta de 15% na produção deste ano, em relação ao anterior. A produtividade, no entanto, caiu 2%, segundo o IBGE.

A produção de laranja também auxiliou o crescimento do PIB. A safra deverá atingir 16,7 milhões de toneladas, superando em 4,4% a anterior.

Cana-de-açúcar e mandioca, porém, dois produtos de importância para o setor agrícola do país, registram produção menor neste ano, pesando negativamente na evolução do PIB.

A área de produção da cana caiu 3%, e a produção recuou 1%, para 603 milhões de toneladas, aponta o o IBGE.

A produção de mandioca, que vem perdendo área para soja e milho, cai para 18,3 milhões de toneladas, com redução de 1,3% em relação à do ano passado. A produtividade, afetada por seca, também foi menor, com recuo de 1%.

 Fonte: Folha de S. Paulo

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